Doses homeopoéticas
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Em três atos - Reflexões, Protesto e Amores -, Tita organizou, em sutilezas, a potência de sua poesia. Doses homeopoéticas é um convite ao mergulho - ou à contradança. Aceitei.
Em Cuidado!, ela bem nos avisa: "Se chegar bem de fininho/ Talvez me encontre passarinho / Se chegar de supetão / Arrisca despertar o dragão". Engana-se quem espera daí ver exposto o íntimo da autora. Ao contrário, em Reflexões, ela apenas repete as frases vividas em nossas próprias existências sem que houvéssemos percebido.
No ato seguinte, ela repele as concretudes limitantes e se enfurece. Protesta! Contra quem e coisas capazes de oprimir o bailar, o mergulhar, o surpreender. "Nessa dança, eu erro o passo", assevera-se Tita em Casa-equívoco.
Aos afoitos, Tita demora. Aos afeitos às dose, ela "sutileza-se". Os primeiros irão se surpreender. Os segundos, se sentir presenteados. Nas poesias de Amores, nossa mergulhadora-bailarina-poetisa se derrama como as ondas na areia de Búzios. Tita apresenta os seus; seus arrecifes. "Para minhas emoções e humores indisciplinados / eu tenho a sorte de um amor amparo [...] Eu tenho sorte".
Sorte terá quem romper esse testemunho prefaciano e se permitir envolver-se pelas próximas páginas deste livro, se entregando à poesia potente de Tita e à magnitude das ilustrações da genial Hagen DuBeco. É isso que Doses Homeopoéticas nos oferece.
Mergulhe de olhos abertos e sem medo de arriscar. Ao final, perceba-se. Boa leitura.
Gustavo Nolasco
