Idioma próprio

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  • Livraria e Editora Scriptum Rua Fernandes Tourinho, 99, Belo Horizonte (MG)
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Os poemas reunidos neste livro revelam a orientação do autor em seu fazer poético, em

uma relação não só ao amor à letra, mas o intenso labor de esculpir seus versos e assim

colher o que do humano insiste e resiste em cada palavra.

 

Seu apelo à Musa para saber como “viver com o coração remendado” vai se ampliar a

cada página sem recuos em trazer a sagacidade erótica da língua, como ele mesmo

registra: “...pra não esquecer que tudo o que sinto é fome, sem-nome, sede e sonho e o

som dos escombros e sem sombras nem subterfúgios vontade volúpia sexo.”

 

A poética de Diogo nos diz de um corpo que, entre lascívia e impotência, interroga a

apropriação e mesmo a fusão com as coisas – naturais e criadas. Na evolução desse

trabalho, é possível perceber por onde caminha o poeta-crítico que sabe que fazer poesia

– como no verbo alemão dichten – implica reduzir, condensar.

 

Artífice “...num cotidiano que dói de tão cotidiano”, o autor nos diz da importância do

descanso dos poemas no exercício da escrita, para além do deliciar-se com a língua. O

poeta tem que se haver com a ânsia de expressão que, ao passar insistentemente pela

repetição e pelo corte, pode se desdobrar em seu avesso. Há que esculpir a língua com

calma e exigência, sem evitar o resgate do corpo sequestrado pela tinta e embalado por

palavras que ninam e despertam.

E, sempre, há que aventurar-se na busca e no encontro de um idioma próprio.

 

Cristina Vidigal, psicanalista

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