Objetos à revelia
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A imagem do poema como monumento, escultura, sempre me assoma quando tenho diante dos olhos um trabalho literário de qualidade. Em Loucura, novela de Márcio de Sá-Carneiro, o protagonista Raul Vilar sonha unir poesia e mármore, tornar tudo uma coisa só, perfeita e definitiva. Neste Objetos à revelia, Pedro Castilho elabora seus versos, a partir do que ficou, da perda, da falta, dos estilhaços do cotidiano e, assim, recria a vida, não aquela, total, concebida pelo inaugurador do primeiro modernismo português, mas outra, sensível aos que reconhecem na poesia as marcas da própria trajetória e das paixões. Eis o convite: lançar-mo-nos ao mar destes poemas, levados pelo canto do poeta.
Leonardo Costaneto
