SOBRE A FABRICAÇÃO GRADATIVA DE PENSAMENTO DURANTE A FALA

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(...) Com efeito, sugere-se desde o início que não se alcançam ideias claras ensimesmando-se, isolando-se dos outros e do mundo, em um movimento introspectivo que favoreceria a inspeção da razão por ela mesma. Deleuze e Guattari ressaltaram ainda o antiplatonismo dessa espécie de diálogo, que é de fato um anti-diálogo: o texto salienta que começamos a falar com alguém sobre uma ideia nebulosa não para que o interlocutor nos esclareça, mas para que o próprio movimento inicial da frase, infletindo-se em direção a seu desfecho, perfaça e clarifique a ideia. Portanto, nem pensamento interiorizado nem diálogo metódico; em Kleist, não perguntar, apostar na força viva do discurso e no acaso dos encontros faz parte da cena em que o pensamento pode ser fabricado. De fora, portanto, e em trocas presenciais com corpos alheios. (...)


(…)“Um pensamento às voltas com forças exteriores, em vez de estar recolhido em uma forma interior; operando por revezamento, em vez de formar uma imagem; um pensamento-acontecimento, hecceidade, em vez de um pensamento-sujeito; um pensamento-problema, em vez de um pensamento-essência ou teorema; um pensamento que conclama um povo, em vez de se tomar por um ministério. “ (…)

Gilles Deleuze e Félix Guattari

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