RÉS

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"Rés: adjetivo comum de dois gêneros; raso, rente. Eles dois, ela e ele, comuns de dois gêneros, iguais em substância, fazem, do resto, o poema. Quem o poema, quem a poesia? Rés: substantivo plural, comum aos dois gêneros; o réu, a ré, ambos rés. Eles dois, ele e ela, entregam-se, sem resistência, à vertigem do poema. Quem os absolve? Ela pede: “Venha, poema-metade, e penetre-fenêtre o meu fechamento”. O poema, rés, resiste à penetração, à interpretação. E indica uma direção para se perder: “Sono sem pálpebra, objeto sem borda: mapas, mapas, mapas”. Rest: por uma letra, a pausa, o descanso do resto. Resto: por duas letras, a sobra, o vestígio. Resta a coisa – res – a coisa literária do poema, ali, opaca, em três letras, por um triz. Resta a restante vida, metade de nada, afinal: resina, retina, feminina-masculina cicatriz.”   – Lucia Castello Branco