O MONOLINGUISMO DO OUTRO

Percebes assim a origem dos meus sofrimentos - uma vez que esta língua os atravessa de lés a lés - e o lugar das minhas paixões, dos meus desejos, das minhas preces, a vocação das minhas esperanças. Mas não tenho razão, não, não tenho razão em falar de travessia e de lugar. Porque é à beira do francês, unicamente, nem nele nem fora dele, na linha inencontrável da sua costa que, desde sempre, para sempre [à demeure], eu me pergunto se se pode amar, fruir, suplicar, rebentas de dor ou, muito simplesmente, rebentar numa outra língua ou sem nada dizer a ninguém, sem sequer falar.