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Pensar após gaza: ensaio sobre a ferocidade e o fim do humano
Na presente condição de irremediável derrota do humano, a tarefa de quem pensa é simplesmente dizer a verdade.
Verdade, porém, é uma palavra extremamente comprometedora, portanto seria melhor dizer: a tarefa de quem pensa é dizer qual drama se desenrola no teatro de sua consciência. Designemos este drama: verdade.
No passado, quando era possível alimentar alguma mínima esperança, por vezes tornava-se necessário e perdoável esconder alguma coisa da verdade, adiando-a para tempos melhores.
Agora sabemos que nunca mais haverá tempos melhores, e sabemos que não há mais qualquer esperança. Agora sabemos que o humano está se retirando para os lugares inacessíveis da deserção, enquanto o horror desumano avança e o autômato se apodera das funções de comando.
Por isso, estamos sozinhos com o desespero e a impotência da verdade: a verdade definitiva, última e totalmente inútil.
É preciso compartilhar essa verdade para poder criar alguns lugares comuns de deserção.
Pensar, agora, é definitivamente irrelevante, exceto para quem pensa.
E quem pensa não está sozinho. Outros pensam, outros contemplam o drama e o vivem individualmente. O que acontece no presente – o genocídio erigido como nova regra da história, o desencadeamento da demência agressiva em cada nicho das relações sociais – é muito pior do que o que aconteceu na Alemanha em 1933, porque agora é definitivo e incontestável, e porque no futuro não haverá nenhuma Stalingrado. Por isso, pensar é aterrador, mas indispensável. Porque não há outra saída, não há outra maneira de preservar a única coisa que resta: o respeito por si mesmo.
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