Cartas de amor são ridículas, mas... (introdução ao ensino de Lacan)
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Lacan apresentou seus escritos como cartas abertas ao público, como convites que, ao serem lidos, cada um colocasse algo de si. Disse ainda que gostaria que eles fossem lidos como jaculatórias, isto é, que levassem não ao puro e simples deciframento no campo do saber, mas que afetassem seus leitores repercutindo em seus corpos, que os atravessassem como a flecha do querubim à mística em seu êxtase. O psicanalista lembrou ao filósofo Jacques Derrida que se tratava de aderir aos seus escritos ou de deixá-los, posto colocarem em jogo a transfer ência. Sob transferência, quem escreve e para quem? Cartas/ letras de amor? De amódio? Sim! E por que não, se considerarmos o efeito postal em jogo aí: lettres en souffrance, cartas/letras em espera, em sofrimento, não retiradas, atrasadas, reendereçadas... Se, como diz Kafka, “cada escritor cria seus precursores”, ao colocar de si o leitor não deixa de, em certa medida, reescrever o texto original. O que terá Platão ditado para Sócrates? O que terá Lacan ditado para Freud? O que terá Derrida ditado para Lacan? E ele, Lacan? O que terá contraposto ao pós-estruturalismo derridiano?
