DIAS MALDITOS
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Ao caos provocado por revolucionários e comunistas soma-se a guerra civil entre os exércitos vermelho e branco e as escaramuças de alemães e franceses no território russo devido à Primeira Guerra Mundial. Búnin destaca a presença de camponeses nas cidades, ao lado de operários que se comportam, segundo ele, como fanfarrões. Para o escritor, o que estava acontecendo na Rússia era mais grave do que o período do terror pós-Revolução Francesa. “Qual um etnógrafo, o autor nos detalha como o ressentimento – historicamente justificado – foi manipulado para colocar em prática uma desforra apenas aparentemente consciente”, escreve no posfácio a tradutora Márcia Vinha.
Mais do que a repulsa que lhe causam os revolucionários nas ruas, Búnin execra os escritores que aderiram aos novos tempos, como Vladimir Maiakóvski, Aleksandr Blok e Maksim Górki, com quem havia mantido uma forte amizade antes da revolução. Considera-os oportunistas, vaidosos e repletos de boas intenções fingidas. “É horrível dizer, mas é verdade: se não fosse pela pobreza do povo, milhares de intelectuais seriam as pessoas mais infelizes’, escreve.
