“Mas o que há de comum em seus quadros e poemas é a marca da alegria.”
Há muitos modos de amar a arte. Houve um tempo em que Lélia Parreira Duarte fazia das suas aulas de literatura o caminho para essa paixão. Do convívio com os textos nascia o encanto que ela ia dividindo, em gotas saborosas, entre os que a ouviam com atenção. Encantava-os. O tempo passou e ela metamorfoseou esse encanto em cores que davam a ver os seus poetas eleitos, entre os quais Fernando Pessoa esteve presente desde a primeira hora. Mas Lélia ousou ir além dessa transmutação plástica, retornando à poesia com seus próprios poemas. Caminho de mão dupla, a poesia fazia nascer o quadro e o quadro gerava o poema. E foi assim que surgiu, por exemplo – e com quanta coragem! –, uma “(Outra) Autopsicografia”.
Maria Theresa Abelha Alves
Deve-se ao poeta grego Simônides o famoso aforisma: “a pintura é poesia que cala, a poesia é pintura que fala”. Essa constatação da coalescência entre as duas artes deriva, num primeiro momento, do quanto a poesia falada usa de imagens – e com tal força que terminou por encontrar no teatro a forma capaz de conjugar olho e ouvido, o que, com o avanço das tecnologias, conduzirá ao cinema. Mas há outro fator a considerar, desde que a poesia deixou de ser objeto só de recitação e encontrou sua forma de perenização na escrita, o que fez mais evidente sua conjunção com a representação visual, pois tanto pintar quanto escrever se dizem, em grego, com o mesmo verbo: gráphein.
Jacyntho Lins Brandão
