Poucas pessoas podem, em vida, saber-se parte da história. Mais rara ainda é a chance de um personagem histórico refletir sobre sua trajetória política de mais de meio século e projetar suas idéias para o futuro, às vésperas de completar 80 anos. "Fidel Castro: Biografia a Duas Vozes", do jornalista franco-espanhol Ignacio Ramonet, diretor do Le Monde Diplomatique, é o resultado de cem horas de entrevista com Fidel Castro, a mais longa já concedida por ele a um jornalista. Um livro fundamental para conhecer a vida, as idéias e a versão pessoal de um dos mais polêmicos líderes políticos dos últimos 50 anos.
Um dos derradeiros sobreviventes da geração de revolucionários do pós-guerra, Fidel Castro resistiu em Cuba à oposição ferrenha de dez presidentes norte-americanos (Eisenhower, Kennedy, Johnson, Nixon, Ford, Carter, Reagan, Bush pai, Clinton e Bush filho).
Fidel conta sua trajetória desde sua educação jesuíta de filho de latifundiário até sua transformação em guerrilheiro. A tentativa de tomada do quartel Moncada, quando é preso e exilado de Cuba, o encontro com Che Guevara no México e a longa relação entre os dois, os anos de combate na guerrilha e o início da revolução.
Fidel também se defende das polêmicas sobre perseguição a dissidentes e homossexuais em Cuba, a imigração de cubanos para os Estados Unidos, a existência da pena de morte na ilha, a questão da sua sucessão e o futuro da revolução.
Bastidores de momentos importantes da história são contados do ponto de vista do dirigente cubano, como a crise de outubro de 1962 entre a União Soviética e os Estados Unidos, a chamada "crise dos mísseis" em torno de foguetes soviéticos na ilha, o ponto em que o mundo chegou mais próximo de uma guerra nuclear. A participação de Cuba na luta pela independência dos países africanos e a sobrevivência à derrocada do bloco soviético também são analisadas.
