No decorrer do segundo semestre de 2024, movida por três questões fundamentais, aproximei-me da realidade de pessoas em situação de rua — entre elas quatro mulheres, seis homens e uma mulher transexual. As perguntas que ensejaram essa aproximação foram: por que, ao avistarmos alguém em estado de miséria absoluta, nosso espírito caridoso, de forma consciente ou não, por vezes se manifesta? Por que, ao nos depararmos com sem-teto, sentimo-nos aprisionados pelo medo ou pela repugnância? E por que, quando se trata da doação de um prato de comida, seria plausível preterir um miserável em benefício de um assalariado?
"Dona, vê se não tenho razão. A pessoa que tá muito tempo na rua... ela não podia ser professor? Uai, professor não é a pessoa que sabe? Não é a pessoa que ensina quem não sabe? Então, pra quem tá chegando agora... pra gente não passar muita diculdade... pra não morrer de fome, nem de frio... pra não morrer na mão de bandido, nem na mão da polícia... não podia ensinar um jeito rápido pra não sofrer com brutalidade, com o descaso?"
